terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cidades Sustentáveis por Carol Salsa

Cidades Sustentáveis, artigo Carol Salsa

Publicado em março 16, 2009 by HC


“Uma cidade sustentável depende da capacidade de reorganizar os espaços, gerir novas economias externas, eliminar as deseconomias de aglomeração, melhorar a qualidade de vida das populações e superar as desigualdades sócio-econômicas para o crescimento econômico.”( Eduardo Alva, 1997 )

          As cidades surgiram no interior das sociedades agrícolas no ano 2.000 a.c , no Egito. Na idade média, devido ao comércio praticado a longa distância, as cidades adquiriram a feição de entreposto comercial. No século XIX, a Revolução Industrial trouxe um novo conceito : a qualidade de vida já ameaçada pela poluição gerada pelas fábricas na Europa. No Brasil, nos anos 50, o desenvolvimento econômico foi impulsionado pelo setor automobilístico. A cidade moderna torna-se um polo concentrador de comércio, serviços e informações. Ela passa a ser o principal espaço de consumo e circulação de riquezas produzidas no campo.
         Com a mecanização da lavoura, a fixação do homem no campo torna-se inviável. A indústria reforça o desfecho dado pela lavoura quando transfere geograficamente o núcleo produtivo do campo para o meio urbano. Formam-se os movimentos de migração em massa provocando o caos nas grandes cidades. O crescimento descontrolado da população urbana demanda serviços, equipamentos públicos, transportes, comércio, tecnologia, causando uma série de transtornos à dinâmica das cidades.
          Em 1992, a Conferência Rio-92 produziu um documento conhecido como Agenda 21, que selava a indissociabilidade do desenvolvimento econômico em relação a conservação do meio ambiente. Surge então o conceito de cidade sustentável, um lugar onde as conquistas no campo do desenvolvimento social, econômico e ambiental deveriam se estabelecer. Mas, paira uma dúvida no ar: de que forma será possível adaptar as cidades aos atributos exigidos pela sustentabilidade?
          A literatura é vasta e, nela, encontra-se a indicação do livro de Girardet denominado “ Cidades “, escrito em 1989 . Ele considera as megalópolis, verdadeiras usinas de consumo de energia e de produção intensiva de resíduos sólidos. Uma outra teoria aventada era a que enfocava cidades biocidas e cidades ecológicas, se comparadas às suas formas de organização. As cidades biocidas eram associadas às máquinas potentes de destruição da natureza e geradoras de stress humano e as ecológicas seguiam o padrão sustentável.
          No ano 2000, surge um documento elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente , denominado de “ Cidades “ onde se destaca seis temas centrais referentes à incorporação da dimensão ambiental nas políticas públicas. Os temas centrais são : 1-agricultura sustentável; 2- cidades sustentáveis; 3- infra-estrutura e integração regional; 4- gestão de recursos naturais; 5- redução das desigualdades sociais; 6- tecnologia para o desenvolvimento sustentável.
          A construção das cidades sustentáveis demanda mudanças estruturais e grande articulação entre os atores envolvidos. Planos traçados para estas cidades, favorece o surgimento de um novo modo de concepção de projetos e de execução de obras.
          Neste momento, o papel das incorporadoras torna-se crucial. São difundidos os nove passos necessários para se chegar a uma construção sustentável, quais sejam: planejamento sustentável da obra; aproveitamento passivo dos recursos naturais; eficiência energética; gestão e economia da água; gestão dos recursos sustentáveis na edificação; qualidade do ar e do ambiente interior; conforto termo-acústico; uso racional de materiais e uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis. Um levantamento realizado pelo Conselho Empresarial Mundial para o desenvolvimento confirma : a construção é conhecida como o setor dos 40%, pois essa é a quantidade que se leva do consumo mundial de energia, água e recursos naturais. No entanto, a evolução do conceito de cidades apresenta lenta adoção de métodos eficazes que confiram ao estágio em que se encontram, a denominação de “ cidades sustentáveis ”.

Carol Salsa, engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM ; Perita Ambiental da Promotoria da Comarca de Santa Luzia / Minas Gerais.
http://www.ecodebate.com.br/2009/03/16/cidades-sustentaveis-artigo-carol-salsa/

Nenhum comentário:

Postar um comentário